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18 de fev. de 2014

Sobre o que é histórico, o que é "moderno" e o que vale a pena.

Olá!

Eu amo morar em São Paulo, já disse isso muitas vezes por aqui. Mas uma das coisas que menos gosto é que esta cidade muitas vezes tem "cara de nada", sabe? Você consegue definir se as construções daqui tem alguma unidade? Eu não consigo.

Talvez até dê para definir, só que não sou arquiteta, mas enfim... Lógico que grandes marcos da cidade como o lindo Parque do Ibirapuera não serão descaracterizados ao longo do tempo. Mas pequenos prédios que continham traços de suas escolas arquitetônicas vão sendo demolidos para a construção de prédios "modernos".

Lembro que aprendi na faculdade, em História da Arte, que moderno se referia ao Modernismo, depois dele houve o período pós-moderno e o que é mais recente é contemporâneo. Alguém me corrija se eu estiver errada.

Assim sendo, o contemporâneo é um tempo muito estranho para mim, com "cara de nada". Folheio a Elle do mês e encontro matérias como "o novo grunge" e "o novo clássico". Encontro um artigo da Folha compartilhado no Facebook sobre a demolição de um prédio moderno (este sim) que fica em frente ao salão de cabeleireiro que frequento.

Antes, nos bons tempos...

... e semana passada, parte demolido.

Novo clássico para mim não existe. Clássico é clássico e pronto. É coisa atemporal, não tem novo ou velho. Serviu lá atrás e vai continuar servindo para sempre.

O novo grunge já está nas lojas. Mas a nova, boa, surpreeendente e (por que não) revolucionária música não está no rádio. O Grunge surgiu no começo dos anos 90 como um movimento musical, a roupa e a moda toda vieram junto. As boas músicas de hoje não fazem parte de nenhum movimento novo, como um dia foi o Punk ou foi o Grunge, são muitas releituras bem executadas de coisas boas que já existem. O mesmo diz respeito às roupas e nas roupas de hoje a releitura nem sempre é boa e nem sempre é bem executada...

Eu acredito que a liberdade de ser o que quiser e a vantagem de buscar referências facilmente nos dias de hoje causam isso. Eu já sinto falta daquela Rua Augusta "podrinha" de poucos anos atrás, sabe? Eu tenho saudades do Vegas, que também foi demolido. Mas eu gosto de quem se torna responsável por adquirir um imóvel antigo e não descaracterizá-lo para poder ganhar seu dinheiro com ele: como o bar Z Carniceria, que tem esse nome por antigamente abrigar um açougue, também na rua Augusta. Ele é simples e decorado no tema na medida. Tem uma árvore na frente, se eu não me engano tem um "orelhão" também.  E daí que tampam a fachada? A bebida é boa, assim como as coxinhas da Dadá que eu amo e a música também. Sem frescura ou itens "hype". Não precisaram abrir um negócio "moderno" para serem bons. Mas as referências antigas estão lá, sendo bem usadas na minha opinião.

Dá pra perceber a confusão? O que é antigo e que acham legal serve de referência, o que não é legal ou que não vale a pena financeiramente vai pro chão. O que vai sobrar desta década e da década anterior para contar história? Eu realmente não sei. Talvez serão os anos em que descobriram que as décadas do século passado eram interessantes, que geraram uma "cara de nada" específica.

Antes, por não ter referências tão à mão, as pessoas criavam novidades do zero, estas mesmas que são referências para nós hoje em dia. Será que vamos ter que nos isolar de novo para poder criar algo realmente novo? Ou viver em uma grande crise, momento de criar alternativas para suprir coisas que não cabem mais no cotidiano?

Eu prefiro acreditar que estamos dando dois passos para trás hoje para dar vários pra frente depois.
Seja na preservação da cidade, na moda, na educação das crianças (aliás, deve ser uma tarefa quase heróica esta última). Terminei de ler ontem um livro (vai ganhar um post ainda esta semana) que mostra coisas que as nossas mães e avós faziam, que não são nada complicadas e que foram se perdendo com o tempo. Hoje se mostram boas alternativas para uma vida mais simples e melhor.

Eu estou aqui repensando meus hábitos, dando dois passos para trás para dar muitos para frente depois e, quem sabe, deixar algo de bom para quem vier depois de mim.

5 de set. de 2013

Pequenos sonhos

Olá!

Ontem de manhã, antes do momento mensal de bolar um post enquanto estou no salão retocando minha ruivice "natural", pensei: " Nossa, como pode? Esse mês não tenho nenhum assunto sobre o qual eu queira escrever, nada que tenha me atormentado ou chamado a minha atenção, sabe?"

Aí vi que, como todo mundo tem o direito de estar assim de vez em sempre, estou nuns dias bons onde vejo que tenho conseguido tornar realidade alguns pequenos sonhos, desde a graça alcançada da tintura ruiva que resiste dignamente por um mês inteiro no meu cabelo até o trajeto de bicicleta para a academia testado no último domingo, passando por um tanto de ideias pedindo para sair da cabeça.

Três anos atrás eu decidi deixar de fazer Cupcakes. No começo de setembro de 2010 eu decretei o último dia de setembro como o dia em que atenderia as últimas encomendas e depois iria descansar. Só tinha isso na cabeça. Não conseguia enxergar o que estaria fazendo ou como eu estaria em 2013. Não tinha planos, nem queria imaginar o que queria fazer da vida depois que eu parasse. Com o tempo, os pequenos sonhos voltaram a ser presentes, como aprender a costurar, ter um quartinho de costura com uma parede de bolinhas, ter finais de semana disponíveis para sair ou mesmo para ficar de bobeira em casa com a minha família.

Na Ciranda Criativa que participei no último sábado, eu levei uma hora a mais do que tinha imaginado para chegar de carro. Fui de carro porque tinha um aniversário para ir na sequência (beijo, Enzo!) e achei que assim seria mais rápido. Mas não foi. Ao chegar bem atrasada na Ciranda, o meu sonho para colocar na nuvem era um só: ter asas, poder voar. Meu tempo (e o de todo mundo) é precioso demais pra ficar parada em algum lugar da cidade onde eu não possa fazer nada. 

Então, o que eu imaginei para a minha nuvem dias antes se transformou em outra coisa, mas que ainda sim tinha a minha cara. Que bom, né?! Não são sonhos mirabolantes, são bem possíveis, aliás: ser ciclista em tempo integral (em progresso, já deixei de ser motorista em tempo integral pelo menos) e de ter muitas costuras por toda a vida (além do que eu já tenho, tem mais coisa que eu quero que aconteça na minha vida através da costura).


No próximo dia 11 este modesto blog completará 6 meses. Eu não consigo expressar aqui o quanto este espaço me faz feliz. Eu nem imaginava ter um blog de novo por achar que não teria assunto para escrever regularmente (nos tempos de fazedora de Cupcakes eu mantive um blog que eu adorava - é a minha porção publicitária "não praticante" que acaba se manifestando, rs!). Imagina se eu pensava em me preocupar porque não postei nada novo durante uma semana atribulada ou que as fotos de algum post poderiam ter ficado melhores. E agora eu encontro pessoas que me dizem acompanhar o blog e que gostam do que encontram por aqui. É realmente muito gratificante!

Em breve você verá novidades por aqui, porque eu tenho ideias e pequenos sonhos pro blog também. De certa forma, eu já estou começando a comemorar hoje - antecipadamente - esta pequena grande conquista. 

Obrigada pela visita e pelo carinho.
E bora correr atrás desses pequenos sonhos que todos nós temos, totalmente possíveis?

Beijo!

21 de ago. de 2013

A costura é a minha auto-ajuda

Olá!

Dia desses a Ana, minha grande amiga das costuras, compartilhou essa imagem no facebook dela:

"Nunca subestime o poder de uma mulher com uma máquina de costura."

Eu compartilhei logo que vi porque achei a minha cara. E me ocorreu que hoje em dia, na minha timeline, tem tanta gente postando fotos bonitas, geralmente acompanhadas de frases mega positivas ou de conselhos para uma boa vida. Mas será que não tem sido papo demais e ação de menos para uma parte dessas pessoas? Dizem por aí que a vida no facebook é mais bonita que a realidade... deve ter mesmo mais papo que ação, na minha opinião, infelizmente.

Lógico que é importante cuidar da gente mesma, ter algum objetivo para perseguir, ter atitude positiva diante da vida e tudo mais, mas pra mim já faz tempo que procurar fazer mais e filosofar menos tem sido mais importante. Ser um pouco mais "faca na bota" não faz mal a ninguém, sabe? Isso não significa ser agressiva, grossa, mas ter atitude, eu acho!

Quando eu deixei de fazer cupcakes três anos atrás, eu tive que lidar com o fracasso de ter que encerrar algo que um dia eu tanto quis ter. Primeiro eu me isolei de tudo, passei uma primavera inteira trancada em casa, vendo televisão, chorando e agarrando meu cachorro.

Também "descontei" um tanto em mim mesma, antes mesmo de parar com os cupcakes de vez. Fiquei ruiva, cortei uma franja a la Betty Page, passei a usar vestidos rodados e salto alto o tempo todo. Porque lá dentro estava tudo péssimo, mas a "casca" estava cada vez melhor. Descobri a Julia Petit e seus vídeos incríveis, aprendi a me divertir arrumando meu cabelo e fazendo minha maquiagem sozinha. Foi um aprendizado incrível, pro resto da vida. Só que isso ainda não resolveria todo o problema. 

Um belo dia eu resolvi que aprenderia algo novo, só pra ocupar a cabeça, para ter algo mais para fazer. E cheguei na costura. A mesma costura que hoje eu sei que mudou muita coisa nos últimos dois anos. Não foi por acaso. Porque eu acredito que coincidências realmente não existem e eu encontrei através da costura algumas pessoas muito importantes que entraram na minha vida.

Eu tinha passado por algo parecido nos tempos de Fia do Céu! quando algumas clientes viraram grandes amigas, que espero ter por perto pelo resto da vida. Então, eu sei que vivi aquele ciclo por algum motivo, provavelmente para aprender muitas coisas novas e para chegar até essas pessoas especiais.

E hoje, digo mais uma vez, eu não poderia ser mais eu mesma, interna e externamente. Estou cercada de pessoas especiais sempre, isso tudo é fundamental pra mim e me deixa realmente feliz e tranquila. Posso botar boa parte da "culpa" na costura? Acho que sim, né?!

E tem mais! Quem eu conheço por conta da costura ou de crafts diversos tem toda essa atitude positiva junto da ação propriamente dita. São pessoas que fazem acontecer de verdade, então o que elas externam em seus posts ou nos papos que temos é muito verdadeiro para mim.

Por isso tudo que a imagem do começo do post faz tanto sentido. "Nunca subestime o poder de uma mulher com uma máquina de costura". Eu acho que ficaria ainda melhor se fosse assim: "Nunca subestime o poder de uma mulher com uma máquina de costura. E com um belo batom vermelho". Essa é a minha auto-ajuda.

Beijos!

10 de jul. de 2013

Mulheres Prendadas

Olá!

Estava eu programando o que eu colocaria aqui no blog por esses dias quando achei uma boa abordar esse tema: ser uma mulher prendada.

Terminei de ler semana passada a revista Tpm de maio (sim, sempre termino de ler as minhas revistas quando a edição seguinte já chegou na banca. Ou até mais atrasada, como a revista Elle de março que ainda estou lendo, rs), com o tema central de Mulheres Prendadas. Comprei logo que vi na banca, mas deixei para ler em dias mais calmos, pois o assunto realmente me interessa.

Algumas páginas da TPM.

E ver que esse mundo artesanal-craft-costurístico-manual é muito feminino (a Mega Artesanal tinha muito mais mulheres do que homens segundo o meu "data-olhômetro") chamou ainda mais atenção para o assunto.

Enquanto devorava a revista toda, pedi pro marido responder duas coisas. Primeiro, se ele achava que eu era uma mulher prendada. Ele disse que sim. Aí pedi pra ele definir o que é uma mulher prendada. Ele respondeu que é aquela pessoa que sabe fazer várias coisas, todas elas com qualidade, bom gosto e criatividade.

(Ah, e ele brincou que eu poderia incluir vários outros adjetivos positivos terminados com "ade", e também que eu vou terminar a minha colcha de retalhos com muita idade... aff... muito apoio, viu?! Hahahaha!)

De fato, eu sei fazer um tanto de coisas sim. Sou bem minuciosa e acho que aprendi a lidar bem com essa qualidade ao dedicar um tanto do meu tempo às manualidades. Ao longo dos anos aprendi a bordar, fazer crochê, costurar, fazer cupcake e até bolos decorados.

Por outro lado, não sou como a Amélia, aquela que não tinha a menor vaidade. Eu me cuido, no melhor sentido de cuidar bem da nossa morada para poder viver melhor. O marido gostar é consequência.

Mas acho que a questão não se resume só a isso. Ver as várias questões que estão na mente das mulheres como "eu estudei em faculdade de primeira linha, fiz pós-graduação e vários cursos, mas o que eu queria mesmo era me dedicar à minha casa", ou "estudei tanto pra depois ter que saber passar a camisa do marido?", ou ainda "eu quero ter filhos, mas quero focar na minha carreira e ter tempo pra mim"... E por aí vai...

E quando essas mulheres prendadas aproveitam estas habilidades e as transformam em oportunidades de negócio? Eu poderia enumerar várias que eu admiro e conseguiram fazer isso, que bom!

É engraçado e um alívio estar fora do mercado de trabalho há algum tempo e não sentir falta nenhuma do terninho e do escritório. Eu trabalhei em várias empresas, na área de Marketing, sempre me sentindo deslocada e questionando o que eu fazia de errado por não conseguir prosperar. Depois, dando aulas na mesma área, me senti muito melhor e vi mais perspectiva. Mais pra frente, fazendo cupcakes em casa para vender, notei que o contato com as pessoas e vender algo que eu mesma fiz me apetecia muito mais.  

Por isso mesmo, hoje em dia não tenho a menor sensação de ter fracassado (sim, isso rondou a minha cabeça por muitos anos). Estou em casa por opção e sei que essa escolha nem sempre é possível principalmente por questões financeiras, mas não me sinto mal por isso.

Meu marido também é muito prendado, cozinha bem, mantém a ordem na louça e na rotina dos nossos cachorros, realmente não posso reclamar!

Ser uma dona de casa prendada não me fez ficar fora de órbita e, quando estou com pessoas que só falam de trabalho, eu realmente não me esforço para participar da conversa usando exemplos meus de "mil anos" atrás. Falo sobre minha vida como ela é agora, porque sou uma mulher prendada assumida, cuido da minha casa, de mim mesma, do marido, dos meus cachorros e costuro.

Nunca fui tão eu mesma como agora e não posso me prender ao passado. Se eu ainda estivesse de terninho dentro de um escritório, eu teria que deixar a minha porção prendada de lado e isso me deixaria muito infeliz. Porém, quem sabe em algum momento eu escolha uma destas habilidades prendadas para, por exemplo, ter um novo negócio próprio? É uma opção que eu não excluo.

Na verdade, tudo isso que escrevi não é para ser nenhuma dissertação sobre o assunto, já que ele é bem complexo, e sim para cada um de nós poder pensar no seu próprio papel, no que te faz ou não feliz. Eu acho que isso é sempre bom. Aqui eu conto a minha parte apenas.

Luke e eu, costurando minha colcha enquanto assistia Saramandaia.

E você? Se considera uma pessoa prendada?
Transformaria isso em seu principal trabalho?

Beijos!

14 de mai. de 2013

Fui buscar linha vermelha ali no mercadinho e já volto

Outro dia escrevi um post sobre as costureiras contemporâneas, lembra? A gente costura e vive conectada, porque é assim que as coisas são nos dias de hoje pra um monte de gente.

Eu escrevi praticamente todo aquele post enquanto estava no salão esperando o tempo que a natureza (leia-se tinta) precisa pra me deixar ruiva, aproveitando o wi-fi, o tempo "ocioso" e um iPad na mão.
Coisa linda essa de poder costurar nos dias de hoje e usar a internet pra pesquisar de tudo um pouco!
É tecido, molde e técnica pra todo lado. Coisas novas e antigas revisitadas convivendo harmoniosamente. Mas a gente sabe bem que a tecnologia que ajuda também pode atrapalhar.

Na arrumação do quartinho que comecei a fazer na semana retrasada encontrei um sinal disso, ao separar os livros e revistas por "lidos" e "não lidos": a pilha dos "não lidos" está enoooorme! Fiquei até com vergonha de colocar uma foto aqui...

Ok, devo assumir que sou a louca dos tecidos E TAMBÉM a louca dos livros e revistas. E ficar muito tempo jogando Candy Crush não está ajudando em nada a amenizar a situação de acúmulo. Nem o tempo no trem ou no metrô eu estava usando mais para colocar as leituras em dia, só ficava no joguinho.

Outro dia, olhando em volta, vi muitos outros passageiros falando, fuçando ou fazendo qualquer coisa grudados em seus celulares. Mas tinha também uma mocinha solitária e sorridente fazendo crochê durante a viagem e ela me chamou a atenção.

Nessa hora eu decidi largar o celular um tanto. E fiquei feliz por ter a costura como a minha atividade offline. Incluí regrinhas como deixar o celular no silencioso e dentro da mochila durante as aulas de costura e de Patchwork, usando o aparelho no máximo pra ver as horas, visto que não uso relógio, e pra foto que acaba parando no instagram. Também estou fazendo isso nas aulas de alemão. Tem sido ótimo! A atenção fica toda pro que eu estou aprendendo e aproveito mais o contato com quem está na aula comigo. Deletei os joguinhos viciantes do iPhone e deixei "só" no iPad, assim eu jogo uma ou duas vezes por dia, no máximo. Parece tudo tão óbvio, mas eu precisei deste alerta.

(OBS.: eu li este texto aqui recentemente, que me fez achar que eu estou no caminho certo. É um pouco longo, mas vale a pena ler.)

Por outro lado, lá no bazar Ó Gente, encontrei as chamadas por mim de "amigas do Instagram" como a Marcela Stump (e o marido), a Cris Akemi, a Andrea do Superziper. Este sim é o caso de usar alguma rede social para agregar algo ou unir as pessoas, pelo menos pra mim. Fiquei tão animada por ter encontrado com elas no bazar que até esqueci de tirar foto pra por aqui no blog ou no próprio Instagram, hahahaha! Tão bom encontrar com pessoas que tem as mesmas afinidades que a gente!

Porque a vida offline vale muito a pena desde sempre e a gente tem que usar a internet e os aparelhinhos diversos pro que realmente interessa, né?!

Eu estou adorando buscar este equilíbrio entre o online e o offline, assim como ontem quando a linha vermelha resolveu acabar antes que eu terminasse meu vestido lindo da vez e eu fui em um dos mercadinhos perto de casa comprar mais (sim, estou em São Paulo, mas às vezes não parece né?!). Passar algumas horas em silêncio costurando, depois andar pelas ruas do bairro e levar o celular no bolso "só pra garantir", mas não usá-lo, acaba trazendo uma tranquilidade tão boa!

Fui buscar mais linha e já volto. Deixe o seu recado!

Obrigada por me acompanhar virtualmente e, sempre que dá, em carne e osso também!

Um beijo!

Obs: este post também foi escrito quase todo no salão, na minha visita de semana passada... Daqui a pouco, se continuar acontecendo, vira uma seção nova do blog - já virou tag, rs!

16 de abr. de 2013

As costureiras contemporâneas

Um dia você aprende a costurar e a sua mãe (referência maior do assunto) acha legal, mas não parece se relacionar tanto logo de cara, pois as costuras de cada uma são bem diferentes.

Você não entra num curso de corte e costura tradicional, mas chega num ateliê onde aprende um tanto sobre máquinas e técnicas, perde o medo de usar uma máquina de costura e logo se aventura a presentear as amigas queridas com organizadores de bolsa, faz capa com matelassê pro iPad, encontra um molde fofo na internet pra fazer vestido pras pequenas da família (usando tecido comprado numa loja virtual dos Estados Unidos).

Você percebe que o método de usar uma máquina e o mais básico da costura permanece o mesmo como saber identificar frente e verso de um tecido, o fio do tecido, as ferramentas, mas nota que a cabeça das costureiras de hoje parece ser muito diferente. A gente quer fazer muito mais e fazer diferente, mas sem perder os aspectos "de sempre" que valem muito a pena.

Tempos atrás, eu não sabia de mais ninguém que tinha um cômodo da casa só para costurar, não só pela questão do espaço disponível em si, mas pela prioridade em reservar um espaço da casa para uma máquina de costura e seus apetrechos.

Ao passear pelo meu pequeno quarto de costura, dá pra ver que convivem harmoniosamente o telefone de disco (que hoje funciona só pra receber ligações, graças à linha da Net que é só digital), a máquina de costura de 51 anos de idade, o Grande Livro da Costura de 1979 e também o iPad, o Dock do iPhone, a câmera digital, e os achados proporcionados pela internet e viagens de uns anos pra cá.


A amiga de costura proporciona belas desculpas para uma saída de casa com moldes e tecidos dentro da mochila. Outras amigas de costura te dão a deixa para viajar e conhecer lugares novos e, sim, costurar fora de casa.

Todas essas amigas têm casa pra cuidar, responsabilidades do trabalho, cuidar de filhos, bichos e maridos e ainda assim costuram sempre que dá um tempinho. Felizmente, algumas delas conseguiram transformar o hobby em trabalho, o que eu acho incrível.

Ainda assim, com tanta coisa prontinha e resolvida em uma rápida ida ao shopping, a satisfação de ter, usar ou dar algo que foi feito por você mesma é uma delícia!

Agora que estou aprendendo modelagem feminina e tenho uma máquina com recursos mais parecidos com a máquina da minha mãe, nós duas estamos sempre trocando figurinhas sobre como usar isso ou aquilo, como fazer um ajuste naquela roupa que já é bonita pra ficar ainda melhor...

Eu considero a costura uma terapia, pois não dá pra comer enquanto se costura (sim, o regime agradece!), dá pra ocupar muito bem o tempo e sair com algo lindo no final.

A internet ajuda muito a encontrar novidades para costurar, tecidos lindos vindos de longe, dicas para deixar o projeto perfeito, mas ainda não dispenso uma boa aula, hoje em dia acontecem num ambiente com cara de casa e jeitão offline...

Também não dispenso os livros e revistas, adoro folhear calmamente e encher de post-its os que mais me agradaram e que podem ser feitos no futuro!

Enquanto eu costuro eu costumo ouvir música, geralmente Punk (Ramones, The Clash, New York Dolls), alguma artista maravilhosa de Soul (Aretha Franklin, Etta James, Amy Winehouse) ou minhas bandas de Rock favoritas (Red Hot Chilli Peppers, Foo Fighters). Mas quando o dia não está aquela maravilha eu procuro algo calminho e um sonzinho da Norah Jones ou do Eddie Vedder, junto com o barulho do motor da máquina, vai me deixando melhor.

Aí na pausa para o café, uma passada rápida nas redes sociais, uma fotinho da produção do dia pra postar no instagram e uma anotação no caderninho de uma ideia nova de post.
Pois é, as costureiras contemporâneas são assim... E eu sou muito feliz por ser uma delas!

Ponto cruz moderninho virou quadro!

Beijos e até o próximo post!

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