30 de mar de 2016

Minha loja de tecidos favorita do Brás e as novas estampas digitais

Olá!

Como toda costureira que se preze, sou doida pelo Brás! Lá é uma espécie de paraíso, onde a gente encontra um monte de riquezinhas a preços realmente muito bons.

E claro, já conhecemos muitos textos sobre onde comprar, que tipo de tecido encontramos, etc.

O que ainda não falei foi da minha loja favorita: a Swiss Tecidos. Quem me indicou foi a Pat (Patricia Cardoso, minha primeira professora de costura e que postou um guia sobre o Brás aqui) e, desde a primeira vez que estive lá, me apaixonei.

O que me agrada demais nessa loja é que sempre encontramos estampas diferentes, muito bonitas e baratas. A loja é especializada em tecidos de algodão estampado e tem uma variedade muito grande.


Gosto da Swiss porque, muitas vezes ao comprar algodão para roupinhas da Julia em outras lojas, vejo a mesma estampa por todo lado a ponto de ficar enjoada do projeto antes mesmo dele ficar pronto. Convenhamos: é muito, mas muito, muito chato você caprichar a beça em um projeto e encontrar a estampa por todos os lugares... parece até uniforme escolar.

E lá na Swiss eu sempre me surpreendo com as estampas. Além disso a qualidade do algodão é muito boa e geralmente a estampa também é. Digo geralmente porque já comprei alguns cortes onde a estampa é bastante carregada e o tecido fica até grosseiro de tanta tinta que leva. Geralmente esses tecidos não ficam legais após algumas lavagens e isso já me aconteceu com tecidos da Swiss.

Outra grande vantagem é o preço... não é o mais barato do Brás, mas levando em consideração a variedade e beleza das estampas e a qualidade da maior parte dos tecidos, a Swiss fica em primeiro lugar no meu coração. Quando penso em um projeto novo ou estou com vontade de ver tecidos novos para começar a criar um novo trabalho é na Swiss que eu penso!

Loja Virtual

Além da loja física, que fica na Almirante Barroso (no número 588) tem a loja virtual, que tem outro nome, não me perguntem porque: a Ponto X tecidos. A vantagem é que de qualquer lugar do Brasil você pode ter acesso a essas riquezas que eles vendem e pelo mesmo preço! A desvantagem é claro, que você não vê o tecido ao vivo, o que para mim faz bastante diferença, porque gosto de sentir na mão o tecido antes de comprar e que você terá que pagar frete pela entrega, o que encarece um pouco seu projeto.




Estampas Digitais

Recentemente estive na loja e eles começaram a fazer estampas digitais, cujo processo nada mais é que “imprimir” imagens digitais diretamente no tecido. A vantagem desse processo é que a empresa pode produzir uma imensidão de diferentes estampas com uma definição muito melhor. Além disso, os desenhos são muito mais bonitos, modernos e a qualidade é bastante boa (não fica carregado como nas estampas que falei agora pouco).

Eu fiquei doida com as novas impressões digitais que encontrei lá e, apesar de ser um pouco mais cara que a estamparia tradicional, não resisti e trouxe quatro delas para meus projetos.

O primeiro deles foi esse vestidinho que fiz para a Julia. O modelo já é velho conhecido de vocês, mas quando quero valorizar a estampa e fazer uma peça prática, sempre recorro a ele e não tem erro! A Julia adora, e eu fico super feliz!

 
Detalhe para os botõezinhos de madeira em forma de cogumelo nos ombros: uma fofura!!!

Trouxe também uma estampa bem parecida de renas, uma de Chapeuzinho Vermelho e uma da Alice no País das Maravilhas (Fali, né?).

  
 
 

Quer ficar feliz? Fazer uma tecidoterapia? A Swiss ou sua versão virtual é uma boa pedida!

Beijoca,
Ana

28 de mar de 2016

Minha máquina de costura - Singer Facilita Pró 4423 - 3 anos depois

Olá!

O tempo passa, o tempo voa... E a minha Novinha (que agora já não tão novinha assim, rs) completou três anos de uso agora em março. Então, é chegada a hora de fazer aquele apanhado anual sobre a máquina!

(Para quem quiser ver, estes são os posts sobre o primeiro e sobre o segundo ano de uso dela)!

 

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que a minha máquina Singer Facilita Pró 4423 costurou de tudo um pouco neste último ano e, felizmente, não apresentou problemas! Ao longo do tempo foram feitas limpezas e lubrificações regulares, além de trocar a agulha conforme o uso.

Em 2015 a Singer substituiu este modelo de máquina por um mais novo: Singer Facilita Pró 5523. As máquinas são bastante parecidas e eu fiz um post comparativo, está aqui.

Para não me prolongar muito, o manuseio da máquina permaneceu igual e sem dificuldades. Estou bastante habituada a usar a máquina depois de 3 anos e procuro mantê-la sempre com agulhas em bom estado, assim como mantenho uma rotina de limpeza e lubrificação. Não houve nada que fizesse que eu a levasse em uma assistência técnica.

Os projetos no último ano foram bastante variados, desde a costura de peças com tecidos bem delicados como a seda até tecidos mais pesados como o jeans. Também costurei malhas variadas, couro sintético e fiz alguns trabalhos de Patchwork.


Eu e minha Novinha: muito amor!

Portanto, continuo recomendando a máquina, já que ela tem dado conta do recado e não me dá dor de cabeça. Só recomendaria buscar outro tipo de máquina se for essencial ter caseado (que ela não tem e costuma ser muito utilizado em aplicações) e mais opções de pontos decorativos (a máquina possui, mas são poucos). Para mim, continua atendendo perfeitamente as necessidades de costura!

Beijos!

24 de mar de 2016

Exposição "Arte na Moda: Coleção MASP Rhodia" - Eu fui!

Olá!

Eu queria muito ter colocado este post no ar enquanto a exposição ainda estava em cartaz, mas não consegui (sempre tenho tanto papo para colocar em dia, né?! Rs!). De qualquer maneira, preciso deixar registrado aqui no blog, porque foi muito legal! Eu visitei a exposição "Arte na Moda: Coleção MASP Rhodia" e adorei o que vi!

Contexto histórico

A Rhodia promovia apresentações incríveis em conjunto com estilistas e artistas plásticos para mostrar seus tecidos. Até onde eu li nas plaquinhas, eram todos tecidos de fibras sintéticas, já que a Rhodia é uma indústria química, que também está presente no setor têxtil. Estilistas e artistas brasileiros eram convidados a criar peças com estampas e modelagens exclusivas para estas apresentações.

As peças por conta disso eram únicas, lindas e super com a cara do Brasil e das décadas em que foram feitas. O acervo foi doado pela Rhodia ao MASP em 1972 e a coleção ficou esse tempo todo guardada, até que parte dela foi devidamente "desencaixotada" e ficou em exposição no museu entre outubro de 2015 até fevereiro passado.

A Rhodia continua no mercado de fibras têxteis (como poliamidas e tecidos inteligentes) até hoje, pena que não fazem mais os desfiles-show! Como ainda não existiam as semanas de moda como estamos acostumados a ver hoje em dia (e às vezes até cansados de ver, rs), tudo acontecia na Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil), que eu acho que ainda existe também, mas não com a grande visibilidade dos anos 60 e 70. 

Na minha opinião, de quem observa como consumidora de tecidos e também de roupas prontas, essa diminuição da visibilidade da Feira seria explicada pelo fato que a indústria têxtil nacional certamente deve ter encolhido nos tempos de valorização do Real (e por isso tanta roupa de fora tem sido vendida aqui, assim como tecidos, comentei primeiro aqui). Mais uma vez, essa é uma observação minha, como consumidora de roupas prontas e de tecidos e de quem pesquisou um pouquinho por curiosidade para poder escrever este post.

Veja que, ao contrário do que vemos hoje, quem promovia o desfile era a empresa fabricante dos tecidos. Estilistas e artistas eram convidados para fazer peças lindas e criativas com eles e assim gerar demanda pelos tecidos ao explorar as possibilidades deles. Atualmente nós vemos várias marcas que desfilam as roupas que são criadas por seus estilistas, mas normalmente não ficamos sabendo quem fabricou o tecido utilizado.

Exposição

Enfim, voltando à exposição, muitas modelagens lindas, estampas incríveis em tecidos que deram conta do recado tanto no caimento quanto no efeito de cores e texturas. Várias peças poderiam sair hoje em dia nas ruas, sem o menor perigo de parecer datado e isso foi o que eu achei mais incrível!

Eu vou mostrar alguns dos modelos que eu mais gostei, preciso confessar que vi tudo, subi, tomei um café, sentei um pouco, desci e olhei tudo de novo, nos mínimos detalhes! #alokadomuseu

Separei aqui as fotos dos macacões (e uma saia-calça), pois ando meio que viciada neles. Alguns parecem vestidos, outros parecem conjuntos de duas peças, veja o tanto de modelagens maravilhosas!















 

Na verdade, eu queria mesmo era colocar todas as peças aqui, mas o post ficaria gigantesco! Aqui vão mais algumas peças que adorei!

 Vestido curtinho com bordado de pedraria


 Esse vestido longo tinha um efeito visual lindo, composto pelos tecidos estampados sobrepostos!

Blusa quimono maravilhosa!

Buscando mais informações sobre este acervo - como bem definido neste documentário, "é uma coleção de moda feita por artistas" - e sua história, encontrei esse documentário muito legal, contado por pessoas que viveram essa fase tão interessante da nossa moda!

Para quem não pôde visitar os modelitos pessoalmente, vale a pena assistir!

Inspirações

Eu adorei ver as modelagens, namorei as estampas e as peças com tecidos em camadas, criando efeitos muito especiais. Observei também os acabamentos, como os zíperes normais cobertos por vistas dos próprios tecido das respectivas peças, já que os zíperes invisíveis (que nem sempre gostamos de colocar mas que adoramos como eles "somem" nas roupas depois de prontas) foram inventados tempos depois.

Muitas saias-calça (ou shorts-saia? rs!), modelos fluidos, recortes bem posicionados, calças amplas, vestidos curtinhos, ou seja, muita variedade de modelagens para ver e se inspirar. Depois de visitar uma exposição dessas, a vontade é de sair fazendo várias modelagens e costurando loucamente, rs!

Saí da exposição super inspirada, louca para fazer um macacão com saia-calça bem estampadão, sabe? Espero concluir este projeto antes do inverno chegar!

Para ter mais informações aqui comigo, comprei o catálogo da exposição, com boas fotos e referências dos modelos expostos, além de contar a toda a história envolvida. 

Espero que outras exposições voltadas à moda aconteçam em breve!

Beijos!

23 de mar de 2016

Alinhavar é preciso!

Oi gente!

Esses dias estava tentando terminar um projeto de costura e me veio em mente o tema deste post.

Comecei a costurar faz cinco anos. Apesar de ser filha e neta de costureira, nunca tive vontade de costurar antes de engravidar, porque nunca tive paciência para muitos processos de costura, como por exemplo o alinhavo.

Como membro dessa nova geração de costureiras, gosto de tutoriais simplificados que utilizam técnicas simples.  Ao invés do alinhavo, prefiro passar bem a ferro, de modo a poder fazer uma costura bem certinha. Mas nem sempre isso é possível, por isso repito pra vocês: alinhavar é preciso.

Não, não é perda de tempo, você não está atrasando seu trabalho em uma tarefa inútil, o alinhavo só vai garantir que sua costura fique reta e bem colocada, de modo a pegar todas as camadas de tecido e fechar a costura do jeitinho que você quer. Além disso, o alinhavo permite um excelente acabamento e foi justamente o que aconteceu no meu projeto.

Na primeira versão do projeto, juntei os dois tecidos, dobrados e vincados a ferro, alfinetei e passei a costura, resultado: um desastre! Além de não pegar o tecido de baixo, que ficou descosturado, o acabamento ficou muito ruim.

  
O primeiro projeto e o problema que tive com a falta de alinhavo.

Então, decidi alinhavar neste segundo trabalho, como as mulheres da minha família sempre fizeram e voilá: a costura ficou ótima e o acabamento perfeito.

  

 
O alinhavo em ação e o resultado bem lindo!

Fiquei bastante satisfeita, aprendi a lição e vim dividir com vocês: alinhavem, vocês não vão se arrepender!

Beijoca,
Ana

22 de mar de 2016

Look do dia: Vestido de malha de Rayon!

Olá!

Como tem sido parte dos meus planos, encontrei nas férias um tecido para um dos projetos que estavam me esperando "na fila": uma malha de rayon para o meu vestido Wren, da Colette Patterns.

Sobre o Rayon

É uma malha fina, macia e bastante confortável, nunca tinha costurado um tecido deste. Quando já estava de volta em casa, resolvi relembrar o que é o tal do rayon: assim como a viscose, também é composto por celulose. Ou seja, está entre os tecidos sintéticos produzidos a partir de material natural.

Vestido Wren

Fiz o vestido na opção com saia de 6 panos e mais reta, sem mangas, como este logo abaixo. Adorei o detalhe transpassado com um leve franzido na parte de cima deste modelo! Pelo tecido que escolhi ser escuro e ter uma estampa miudinha, acabou que esses recortes da saia não ficaram tão aparentes, mas todo recorte é sempre bem vindo por aqui!


A única coisa que mudaria ao repetir este molde é que eu diminuiria um pouco a altura da parte de cima. Durante as provas que eu fiz durante a costura do vestido, não tive problemas, mas com ele já em uso ficou um pouco folgado e eu tenho que dar umas puxadinhas para trás de vez em quando (provavelmente ocasionada pela minha falta de busto para rechear o vestido, rs).

Como sempre, adorei o molde e as instruções da Colette Patterns. Resolvi fazer o vestido com as minhas medidas do ano passado (pois engordei um pouco nas férias e ainda estou correndo atrás do prejuízo). Por conta disso, está um pouco justo e marcando bem na região da barriga, basicamente porque eu gosto de viver perigosamente, rs! #vivendoperigosamenteparte1736452. Como sempre, precisei tirar alguns centímetros antes de fazer a barra na altura dos joelhos.

 

 

 


Adorei a estampa e os franzidos da parte de cima!

Fechei a peça na overloque (estamos "de bem" ultimamente, logo menos farei post sobre a solução dada para a Encantada funcionar!), com os acabamentos de barra feitos com a agulha dupla na máquina de costura. Tudo muito tranquilo!

Look do dia

Estreei o vestido na festa de aniversário da minha afilhada (beijo, Ellen!), com as minhas espadrilles pretas. É aquela combinação de preto e azul marinho que adoro e que estou sempre renovando com peças diferentes. Estava calor no dia e o vestido é fresquinho e também deu conta do conforto!

 

 

Apesar da barriguinha, o vestido tem potencial, não tem?

Vestido: malha de rayon comprada na Britex Fabrics (San Francisco), molde do vestido Wren, da Colette Patterns (EUA)
Espadrille: Cervera
Anel: Camila Klein
Colar: L'oiseau Vintage

Se você está com a impressão de já ter me visto com este vestido, é porque eu estava com ele nas fotos do post de aniversário de 3 anos do blog (aqui)!

Gostou?

Beijos!

18 de mar de 2016

Documentário "The True Cost" e uma reflexão sobre o consumismo craft.

Olá!

Hoje eu quero falar sobre um documentário que assisti, o "The True Cost"

 The True Cost (traduzido: O Custo Real)

Sinopse
"Esta é uma história sobre a roupa. É sobre as roupas que vestimos, as pessoas que as fazem e o impacto que a indústria tem em nosso mundo. O preço do vestuário tem diminuído ao longo das décadas, enquanto os custos humanos e ambientais têm crescido dramaticamente. The True Cost é um documentário inovador que abre as cortinas sobre a história não contada e nos convida a pensar: quem realmente paga o preço por nossa roupa?
Filmado em países de todo o mundo, desde as passarelas mais brilhantes até as favelas mais escuras, com entrevistas com pessoas influentes e líderes mundiais, incluindo Stella McCartney, Livia Firth e Vandana Shiva, The True Cost é um projeto sem precedentes, que nos convida a uma viagem para abrir os olhos de todo o mundo e para a vida de muitas pessoas e lugares atrás de nossas roupas."
(Extraído daqui. Traduzido e adaptado por mim) 




Quem paga o preço pelas nossas roupas?

O documentário é impactante, mostra a verdade por trás da produção de nossas roupas. Para colocar a gente para pensar mesmo. Porque é uma realidade dura, a qual não podemos fechar mais os olhos. Eu tinha ouvido falar bastante deste documentário, assisti em dezembro, mas por não conseguir organizar meus pensamentos decentemente para escrever este post (rs), assisti novamente essa semana.

De início, imaginei que o foco seria sobre o trabalho escravo em oficinas de costura em diversos países, mas o documentário é bem mais profundo e fala não só deste aspecto (que é muito relevante), mas também de todas as etapas do ciclo de vida de uma peça de roupa, desde a produção da fibra têxtil, passando pelas oficinas de costura e vai até o descarte de roupas já sem uso.

Reflexões voltadas ao mundo craft

Desde que assisti o documentário, penso com frequência que há muito a ser feito. Todo mundo que costura tem um estoque de tecidos em casa e sabe-se lá como eles foram feitos, o quanto poluíram o ambiente ou o quanto prejudicaram a saúde das pessoas que os produziram até chegarem em nossas mãos. Um dos fatos chocantes mostrados no documentário é que indústria têxtil é a segunda maior poluente do mundo, atrás apenas da petrolífera. Mesmo fazendo a nossa própria roupa em casa, de maneira individualizada, também fazemos parte desta cadeia produtiva gigantesca.

Junte a isso tudo a dificuldade na hora de escolher vestir materiais naturais (como o algodão, um dos meus preferidos) e vestir menos materiais sintéticos (normalmente provenientes do petróleo), já que nos materiais naturais existe uma quantidade enorme de químicos prejudiciais à saúde que são usados no cultivo e no tratamento da fibra. Já que estamos falando de algo que praticamente todas as pessoas usam, as roupas, dá aflição pensar que a grande maioria atualmente não tem para onde correr, sabe?

Eu tenho me esforçado para comprar novos materiais apenas quando forem necessários e buscar fontes mais sustentáveis. Fiquei feliz de ter encontrado malhas de algodão orgânico em viagens, mas nunca consegui comprar algo do tipo no Brasil. Quero fazer uma busca nesse sentido e compartilhar o que eu encontrar com vocês também.

Um outro pensamento que passou a me incomodar muito e que é muito difundido em nosso mundo craft é que está tudo bem sair para comprar um tecido só e voltar para casa com vários (porque é bonito, porque está barato e etc). Temos que lembrar que ficar com tecido parado em casa é sinal de que a compra pode não ter sido boa, além representar dinheiro parado também.

Lá no fundo, a gente sabe que ninguém vai perder nada na vida se deixar de comprar aquele tecido ou aquela roupa "que agora que eu sei que ela existe eu não posso mais viver sem ela". Lá no fundo a gente sabe que a gente não precisa tanto assim de várias coisas, a gente sabe que pode ser mais seletivo.

Isso aconteceu na viagem à Paris, quando acabei não visitando a loja que eu mais queria, contei no post sobre a feira que visitei lá. Já tinha feito boas compras na feira (e alguns tecidos já foram utilizados, conforme planejei), vi que elas me bastavam e me aquietei.

Uma outra coisa que passou a me incomodar: a gente, ao fazer a própria roupa, bolsa ou acessório, não está usando mão de obra em condições de escravidão, ok. Mas os nossos tecidos e aviamentos, de onde vieram? Em que condições foram feitos?

Com o câmbio favorável às importações nos últimos anos, a oferta de materiais nacionais para comprar diminuiu, o que me leva a crer que a nossa indústria têxtil deva ter encolhido muito com essa situação. Agora os materiais que usamos estão com os preços em alta, todo mundo deve estar notando. E se os nossos materiais continuam vindo de muito longe, ainda fica difícil saber mais sobre a origem dele em detalhe.

A cada peça nova de roupa que eu faço ou que compro, separo uma do meu armário que não estou mais usando. Normalmente destino para a igreja, que a vende em bazares ou dôo para alguém que se interessou por ela. Ainda assim, sei que em algum momento aquela peça virará lixo e como lidar com a geração de lixo é um assunto muito complicado em nosso mundo.

O descarte correto dos restos das nossas produções artesanais também precisa ser considerado. Quem de nós consegue produzir uma peça sem gerar nenhum retalho que vai para o lixo? E ele deve ir para o lixo mesmo? Os retalhos maiores de algodão eu separo para a minha colcha de hexágonos e o que eu não vou usar nela eu tenho doado para uma amiga professora que utiliza como material de educação artística em uma escola municipal do bairro. Mesmo assim, sei que tenho que melhorar esse aspecto também.

É um fato que o interesse econômico superou todos os limites humanos e naturais. E eu que achava que não era consumista vejo que ainda tenho um longo trabalho pela frente. Fico feliz que tenho este blog para passar essa mensagem adiante.

Convite

Enfim, esse post serve para convidar você para assistir o documentário (eu vi no Netflix e lá está legendado em Português), para pensarmos melhor sobre as nossas relações de consumo de roupas, tecidos e outros bens e também para buscar formas de melhorar tudo isso.

Beijos!

16 de mar de 2016

Viagem de férias e crafts - Uruguai e Argentina!

Oi pessoal, como estão?

Nas últimas férias viajamos para Montevideo, no Uruguai e para Buenos Aires, Argentina. Claro que, como boa “arteira” que sou, muito antes da viagem já havia planejado passar por lojinhas de lãs naturais, muito famosas em ambos os países.

Em Montevideo fui direto a minha loja favorita, La Pasionaria, já contei sobre ela aqui.



Estava super empolgada para me jogar nas lãs mas, infelizmente, passei 4 dias em Montevideo e não consegui encontrar a loja aberta, então o jeito foi me aventurar em outros endereços que havia listado.

O primeiro deles foi o Mercado de los Artesanos, uma feirinha de artesanato que fica na Plaza Acagancha, no centro da cidade.



O espaço é muito parecido com os bazares ou feirinhas de arte aqui em São Paulo. É um grande galpão, repleto de barraquinhas onde você encontra artesanato dos mais diversos tipos como cerâmica, couro, lã, pratas, etc. Você compra do artesão e paga em um caixa central, que aceita cartões de débito e crédito.

Além do artesanato, existem também muitas oficinas ensinando diversas técnicas como cerâmica e pintura de vitrais e também teatro e tardes literárias. Fiquei com muita vontade de participar, mas com criança pequena ficou para a próxima vez! Foi um ótimo passeio e indico para quem for a Montevideo, mas não encontrei as minhas tão desejadas lãs por lá então decidi ir a um terceiro endereço que queria conhecer, o Manos del Uruguay.


Manos del Uruguay é uma cooperativa fundada em 1968 por cinco mulheres cujo objetivo era desenvolver oportunidades econômicas para as mulheres em um país onde não tinham, e ainda não têm, oportunidades de trabalho. No início elas produziam e vendiam peças de artesanato, principalmente com lãs (trabalhos em crochê, tricô, tear e feltragem). Atualmente trabalham na produção de fios artesanais de alta qualidade que são vendidos principalmente na Europa e compõe coleções de marcas famosas como Ralph Lauren e Donna Karan.

A loja que visitei é um outlet e fica localizado na Calle San Jose, 1111. A loja é linda, cheia de fios incríveis, além de agulhas de tricô em madeira, artesanais e super bonitas. Tem também uma grande variedade de peças prontas em tricô, crochê e tear... são de babar!!! Maravilhosas, mas bastante caras também... de outlet só encontrei uma pequena variedade de fios, de cores escuras e todos embaraçados, em uma banca no segundo piso. Se for para procurar bom preço, não indico não!

Nesse dia comprei 5 meadas de lã fina para fazer uma blusa para a Julia e mais nada porque estava a caminho de Buenos Aires e queria conhecer a lã argentina (também pelo preço e por falta de planejamento de que peças fazer e do quanto comprar, devo esclarecer).

Chegando a Buenos Aires tive que ir em busca da famosa lã merino. Eu havia selecionado alguns endereços mas, tanto pelo bairro onde eu fiquei quanto por outros compromissos, acabei não conseguindo visitar nenhum deles, muita tristeza!

Ficamos em um apartamento no Bairro de San Telmo e um belo dia, voltando exausta dos passeios, encontrei uma lojinha de lãs na mesma rua onde estávamos alojados!

 

Apesar de modesta, havia uma boa variedade de fios e os preços eram ótimos. Por estarmos muito cansados, decidi por duas meadas de lã média, para um xale para mim e por uma meada de lã grossa e irregular irresistível. Adorei a lojinha e fiquei amiga da dona, prometendo que voltaria para buscar mais lãs antes de ir embora e adivinha? Novamente peguei um domingo e na segunda, a loja só abre às 11 horas, bem no horário em que eu já estaria no barco atravessando de volta ao Uruguai. 


Estou sofrendo de arrependimento até hoje, mas decidi parar de me lamentar e começar a trabalhar com o que trouxe. Em breve pretendo voltar para mostrar a vocês o que produzi com esse material.

Como sempre, a viagem foi ótima e a vontade de voltar lá fica ainda maior encontrando essas preciosidades!

Um beijo grande,
Ana

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